Petra e a Câmara do Tesouro

2 02 2007

 Petra, a Cidade Perdida

A região onde se encontra Petra foi ocupada por volta do ano 1200 a.C. pela tribo dos Edomitas, recebendo o nome de Edom. A região sofreu numerosas incursões por parte das tribos israelitas, mas permaneceu sob domínio edomita até à anexação pelo império persa. Importante rota comercial entre a Península Arábica e Damasco (Síria) durante o século VI a.C., Edom foi colonizada pelos Nabateus (uma das tribos árabes), o que forçou os Edomitas a mudarem-se para o sul da Palestina.

Petra (do grego "petrus", pedra; árabe: البتراء, al-Bitrā) é um importante enclave arqueológico na Jordânia, situado na bacia entre as montanhas que formam o flanco leste de Wadi Araba, o grande vale que vai do Mar Morto ao Golfo de Aqaba.


O ano 312 a.C. é apontado como data do estabelecimento dos Nabateus no enclave de Petra e da nomeação desta como sua capital. Durante o período de influência helenística dos Selêucidas e dos Ptolomaicos, Petra e a região envolvente floresceram material e culturalmente, graças ao aumento das trocas comerciais pela fundação de novas cidades: Rabbath ‘Ammon (a moderna Amã) e Gerasa (actualmete Jerash).

Devido aos conflitos entre Selêucidas e Ptolomaicos, os Nabateus ganharam o controlo das rotas de comércio entre a Arábia e a Síria. Sob domínio nabateu, Petra converteu-se no eixo do comércio de especiarias, servindo de ponto de encontro entre as caravanas provenientes de Aqaba e as de cidades de Damasco e Palmira.

O estilo arquitectónico dos Nabateus, de influência greco-romana e oriental, revela a sua natureza activa e cosmopolita. Este povo acreditava que Petra se encontrava sob a protecção do deus dhû Sharâ (Dusares, em grego).

Ritual de passagem abrilhanta Petra

Petra? Onde é isso? A pergunta é recorrente. Essa cidade na Jordânia ainda não se tornou um destino turístico conhecido no Brasil, diferentemente do que ocorre em outros países, especialmente na Europa. Trata-se de um local único, inteiramente esculpido na pedra pelo povo nabateu e que, apesar de parecer distante de outras regiões turísticas, não é tão isolado assim.

Porém, para um brasileiro, é preciso atravessar o mundo para ir a Petra. Mas vale a pena a jornada para conhecer essa cidade, a pouco mais de duas horas de Amã, a capital da Jordânia, uma das mais modernas do mundo árabe, e a quatro horas de Jerusalém –incluindo aí uma hora de burocracia para atravessar a fronteira israelo-jordaniana.

Há passeios para o sítio arqueológico que saem diariamente dessas duas cidades –partindo no início da madrugada e retornando à noite-, mas o ideal mesmo é dormir pelo menos uma noite em Petra para poder realizar, além da visita durante o dia, o passeio noturno.

Os turistas precisam se hospedar nos hotéis na vila de Wadi Musa ou vale de Moisés. Trata-se de uma pequena localidade jordaniana na qual a maioria dos habitantes vive em função do turismo. O passeio começa por uma via que sai da vila de Wadi Musa e segue por cerca de dois quilômetros, passando por obeliscos – primeiros sinais dos nabateus – até uma fenda dentro de um desfiladeiro, cujas paredes, de 200 metros de altura em alguns pontos, foram separadas por forças tectônicas no passado.

No caminho, não há nenhuma construção. Apenas o terreno montanhoso e desértico dessa região da Jordânia. Entre os meses de maio e setembro, a maioria das pessoas chega bem cedo, para evitar caminhadas debaixo de um sol que pode elevar a temperatura para mais de 40ºC.

O desfiladeiro é uma espécie de escudo, ou um ritual de passagem para o que vem a seguir. A fenda, denominada Siq, tem cerca de 4 m de largura, e dela parte uma viela pavimentada pelos nabateus. Do lado esquerdo, outro sinal de Petra: um pequeno aqueduto, também esculpido na pedra -os nabateus eram exímios no desenvolvimento de sistemas hidráulicos.

Ao longo do caminho, de 1,2 km de extensão, começam a aparecer as primeiras “casas” de Petra. Na verdade, são apenas buracos cavados na pedra. Nenhum deles tem a riqueza arquitetônica do que vem a seguir. Após a caminhada, que parece interminável, começa a se abrir literalmente a imagem, no fim da fenda, do Tesouro, brilhante, como se tivesse recebido uma camada de verniz.

O Tesouro é o templo mais importante de Petra, além do monastério Jabal al Deir e do lugar dos sacrifícios. Outro lugar obrigatório é o Grande Templo. Para visitar esses pontos é preciso subir muitos degraus, mas, quem quiser, pode alugar um burro de um dos beduínos que circulam pela cidade. Aliás, pelas ruas caminham apenas turistas e alguns beduínos que têm autorização para comercializar dentro de Petra.

Não há grandes grupos de excursão. Em algumas partes, os beduínos assustam, surgindo do nada para oferecer coisas. Também é comum observá-los caminhando em pontos tão isolados que não dá para entender como eles conseguiram chegar até lá.

Petra parece ter sido, em alguns pontos, uma cidade coberta por lava vulcânica, como Pompéia (Itália). Algumas tribos árabes diziam no passado que Petra não teria sido esculpida. Na verdade, segundo eles, os nabateus foram punidos por Deus que fez a cidade ficar toda coberta pelas pedras.

Com seu nome charmoso, Petra é um dos resquícios mais bem conservados da rota das especiarias, que vinham do extremo oriente, atravessando a Pérsia (hoje Irã) e a região da Arábia (hoje Arábia Saudita) e chegando ao Egito, passando ainda muitas vezes por Damasco, na Síria.

Redescoberta de Petra

As ruínas de Petra foram objecto de curiosidade a partir da Idade Média, atraíndo visitantes como o sultão Baybars do Egipto, no princípio do século XIII. O primeiro europeu a descobrir as ruínas de Petra foi Johann Ludwig Burckhardt (1812), tendo o primeiro estudo arqueológico científico sido empreendido por Ernst Brünnow e Alfred von Domaszewski, publicado na sua obra Die Provincia Arabia (1904).

Petra nos dias de hoje

A 6 de Dezembro de 1985, Petra foi reconhecida como Património da Humanidade pela UNESCO.

Em 2004, o governo jordano estabeleceu um contrato com uma empresa inglesa para construir uma auto-estrada que levasse a Petra tanto estudiosos como turistas.

Curiosidades

 

  • O edifício da Câmara do Tesouro, em Petra, foi utilizado como cenário no filme Indiana Jones e a Última Cruzada. O interior mostrado no filme não corresponde, no entanto, ao interior do dito edifício, tendo sido fabricado em estúdio.
  • Petra é famosa principalmente pelos seus monumentos escavados na rocha, que apresentam fachadas de tipo helenístico (como o célebre El Khazneh).
  • Vídeos

    Confira alguns vídeos sobre Petra: A Cidade de Petra.

    Vídeo 01 – clique aqui

    Vídeo 02 – clique aqui

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    Ações

    Information

    One response

    13 11 2009
    maria terezinha

    Estive em Petra em out/2009, realmente é fantástica. As cores das pedras se modificam conforme a incidência da luz solar. A entrada e saída da Jordânia via Eilat (Israel) foi rápida e tranquila. Transporte seguro e por estrada impecável com 2 horas de duração. Não deixem de ir.

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